quinta-feira, 25 de junho de 2009

PIAGET - resenha

Piaget é considerado um dos maiores psicólogos, a importância de sua obra está no estudo que realizou sobre o desenvolvimento da inteligência e a construção do conhecimento. Batizou sua teoria como Epistemologia Genética e tem como objetivo central responder a uma pergunta: Como é que os homens constroem conhecimento? E como a criança é o ser que mais constrói conhecimento, sua pesquisa voltou-se para elas.
Inteligência para Piaget deve ser definida como função e como estrutura. Enquanto função têm a finalidade do individuo de sobreviver, ajustar-se ao meio, modificá-lo para adaptar-se melhor, isso é a função da inteligencia. Enquanto estrutura ela é uma organização de processos que permitem níveis de conhecimentos mais ou menos complexos.
Para ele o desenvolvimento da inteligência se dá não tanto pelo acúmulo de informações, mas por uma reorganização dessa inteligência. Crescer é reorganizar a própria inteligencia para ter mais possibilidades de assimilação.
Podemos comparar o desenvolvimento mental da criança como uma espiral, a cada avanço feito, além dele depender do anterior, adquire novas estruturas e é "essa integração de estruturas sucessivas, cada uma das quais conduz à construção da seguinte(..)" (Piaget, pg 129).
Na obra de Piaget há um numero grande de conceitos, alguns centrais são:
Assimilação: significa que quando uma pessoa vai entrar em contato como o meio, com um objeto de conhecimento, ela retira desse objeto algumas informações e essas informações retidas fazem com que ocorra uma organização mental, uma interpretação, ela torna seu alguns elementos, assimilando-os.
Acomodação: as estruturas mentais ou a organização que a pessoa tem para conhecer o mundo, é capaz de se modificar para dar conta das singularidades do objeto. Se juntar a assimilação e a acomodação exemplifico da seguinte forma: ao conhecer um objeto, vou assimilá-lo, mas quando ele oferece algumas resistências ao conhecimento, a organização mental se modifica. Pode ocorrer também que essas resistências façam com que o individuo entre em conflito, em desequilibrio quando o objeto não se deixa conhecer facilmente. Sendo assim, o individuo precisa acomodar-se, modificar-se para dar conta, buscar seu equilibrio. Então o equilibrio é a estabilidade da organização mental, que dá conta do conhecimento. É um processo dinamico.
Os estágios: Sensório-motor - 0 a 2 anos; Pré-operatório - 2 a 7 anos; Operatório (7 anos em diante).
Estágio Sensório-motor: pensava-se que o bebê não apresentava nada de muito interessante do ponto de vista da inteligêcia, mas Piaget demonstrou que esta fase é extremamente rica e que a inteligência começa a se estruturar e a mostrar seu valor muito antes da linguagem. Nesta fase do desenvolvimento da inteligência a criança não utiliza a linguagem, mas suas ações e percepções. É uma inteligência prática, em ação.
Pré - Operatório - a qualidade da inteligência se modifica, o que é essencial deste estágio é a representação: penso o objeto através de outro objeto, a criança consegue pensar o mundo através de imagens deste mundo. Utiliza-se então o desenho, o faz-de-conta, a imitação. Entra no egocentrismo, isto é, a criança tem dificuldade de perceber o ponto de vista do outro.
Operatório - é a conquista da organização lógica do pensamento que permite chegar a verdade sem contradições. Utiliza a reversibilidade, a generalização.
Operatório Formal - a criança opera com aquilo que não está concreto, faz hipóteses. Consegue estabelecer relações e pensar sobre elas.
Seu método de pesquisa foi de criar situações-problemas que devem ser resolvidas. Colocou essas situações a crianças de várias faixas etárias e verificou se conseguiam resovê-las além de analisar quais as difficuldades que elas encontravam.
A teoria de Piaget, para quem lida com criança ajuda muito a entender seus comportamentos.Às vezes há coisas que poderiamos despresar, mas depois de ler Piaget observa-se o quanto suas ações são importantes. Ele nos instrumentaliza para entender e lidar com a criança, não apenas do ponto de vista da inteligência, mas da sua moral, da sua personalidade.

terça-feira, 23 de junho de 2009

A CRIANÇA E A ESCRITA: EXPLORANDO A DIMENSÃO REFLEXIVA DO ATO DE ESCREVER

Pensando sobre a produção de textos das crianças que estão iniciando o aprendizado da escrita, a pergunta que me vem é: Como desenvolver, desde o começo, a capacidade de fazer "propostas de compreensão" e o trabalho com a linguagem na produção escrita?
Quando muito pequenos as crianças utilizam sentenças, às vezes soltas, sem conexão com a seguinte, não se preocupam com a revisão por utilizarem uma forma não convencional da escrita. Na escola, inicialmente, resume-se a correção da ortografia das palavras ou a falta destas. Não há preocupação com o leitor.
"O percurso de crescimento se faz tanto pela atividade do sujeito, fundada em estratégias e conhecimentos já construídos, quanto pela participação de agentes mediadores, em especial aqueles presentes no contexto escolar." (pg. 100)
Sendo assim há a importancia de subsidiar a criança com estratégias adequadas de escrita: planejar, escrever, analisar, reescrever, expandir sua experiência comunicativa obtendo novas formas de relação com a linguagem, e o educador atuar como mediador privilegiando as trocas sociais.
Pensar na escrita funcional, exige da escola olhar a criança como capaz de "atender ao caráter comunicativo da produção, tratar a escrita como ação sobre a linguagem e organização ou transformação do pensamento".
A atuação do mediador é planejar a atividade de reescrita com procedimentos que devem acontercer durante a revisão, como exemplo cito: alteração da ambiguidade referencial, completar o enunciado com elementos temáticos omitidos, substituição do enunciado ampliando os constituintes temáticos, repensar o enunciado para reformuá-lo, colocar em questão o aspecto organizacional do enunciado original, ajustar o texto ao leitor...
"A presença de capacidades emergentes e em transformações,(...), permitem sugerir que operações reflexivas na escrita devem se constituir em espaço privilegiado de investimento do trabalho pedagógico já na etapa escolar inicial" (pg 113). O professor, interlocutor ou colega participa e atua como leitor, comentador, sendo necessário o "oferecimento de condições para que toda essa rede de mediações aconteça, dependendo da prática pedagogica implementada (...)
(Góes e Smolka, 1992).
GÓES, Maria Cecília Rafael de. “A criança e a escrita: explorando a dimensão reflexiva do ato de escrever”.